"descapando" discos de rock, sempre em listas top 10 | por Ziegler, Zé Mário e Lex

Arquivo para fevereiro, 2013

saber ESPERAR

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Boa parte desta setlist seria publicada no post 158, mas foi cortada na edição final porque naquele o ritmo acelerou. A ideia era utilizá-la na semana seguinte, mas acabei me enrolando com o prazo para enviar o material de COQUETEL para o UOL e mais uma vez passou. Quando estava com praticamente tudo pronto o My Bloody Valentine lançou disco novo e priorizei a banda escocesa. Finalmente sua vez chegou.

01 – Imaad Wasif – Priestess

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Durante o período em que preparava The Voidist, Imaad Wasif declarou que algumas músicas “vieram” de planos astrais paralelos porque sua alma habita vários mundos. Para o homônino de estreia, gravado três anos antes, ele adotou dieta a base de café e haxixe a mesma utilizada por Bob Dylan na fase John Wesley Harding. “Priestess” foi a música que definiu todo o setlist.

02 – The Eversons – Hyacinth Girl

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Quando a banda surgiu, em 2009, as músicas gravadas por Mark Turner e Tim Shann perdiam força porque o projeto era desenvolvido como dupla. Havia também indecisão sobre a escolha do nome. Com a formação completa, que inclui Chris Young e Blair “Everson”, o problema foi resolvido.

03 – The Clientele – Bookshop Casanova

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Desde as primeiras demos gravadas em 1991 a formação da banda foi como quinteto. Com o nome houve alteração. Eles trocaram The Butterfly Collectors para o atual. Em 2006 dois integrantes originais saíram e foram substituídos pela violonista Mel Draisey. Em 2011 The Clientele anunciou que entrou em férias por tempo indeterminado.

04 – Folk Implosion – Pole Position

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Depois do sucesso mundial alcançado com “Natural One”, tema do filme Kids, dirigido por Larry Clark, em 1995, criou-se expectativa sobre como seria o próximo trabalho de Folk Implosion. Lançado dois anos depois, as vendas do single “Pole Position” foram fracas mesmo recebendo críticas favoráveis. Uma delas considerava a música como clássico pós-punk.

05 – Black Lips – Everybody’s Doin’ It

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No início de carreira as apresentações ao vivo eram as mais provocativas possíveis, o que incluía vômito e urina em direção da plateia, fogos de artifício e guitarras em chamas. Assumidamente a fonte de inspiração foi GG Alien. A turnê de estreia, em 2002, foi marcada por fatalidade. Ben Eberbaugh, guitarrista, morreu em acidente de carro provocado por motorista bêbado que dirigia em alta velocidade na contra mão.

06 – Reigning Sound – Drowning

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Alex Greene, um dos integrantes originais, escreveu em parceria do vocalista Greg Cartwright todas as músicas de Too Much Guitar!, gravado em 2004. Antes da banda entrar em estúdio ele saiu amigavelmente para dedicar-se a novos projetos. Ocorreu erro de impressão nos créditos do encarte e apareceu como se ele tivesse colaborado em apenas uma música. Jay Reatard, morte em 2010, fez a produção de estúdio.

07 – Ganglians – Faster

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Still Living foi planejado para ser vinil duplo. Depois de gravado a banda desistiu da ideia e resolveu lançá-lo como disco simples porque as músicas funcionavam melhor juntas. O nome Ganglians veio da união das palavras “gang” e “aliens”. Não há relação alguma com gânglios.

08 – Shrag – A Certain Violence

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Os primeiros singles de Shrag resgatavam sonoridade que remetia ao The B-52’s. Com o tempo a banda imprimiu identidade às músicas, aperfeiçoaram a técnica e soaram mais rock and roll.

09 – Stereolab – Orgiastic

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Peng! foi o disco de estreia de Stereolab, em 1992. As três primeiras músicas praticamente definiram como seria construído o conjunto da obra da banda. São elas: “Super Falling Star”, “Orgiastic” e “Peng 33”. Uma curiosidade sobre o processo de criação das letras é que algumas são escritas e gravadas em francês e outras em inglês. O layout da capa foi utilizado no cabeçalho do post.

10 – White Fence – Easy Ryder

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Projeto desenvolvido por Ty Segall em parceria de Timothy Presley, de Strange Boys. Alguns críticos definiram Hair como o disco que John Lennon e Syd Barrett não gravaram juntos. “Easy Ryder” é o melhor exemplo de como teria sido esta união.

11 – The Babies – Wild 2

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The Babies “existe” quando Cassie Ramone, de Vivian Girls, e Kevin Morby, de Woods, não estão ocupados com suas bandas principais. Não há cobrança para futuros lançamentos. O projeto surgiu da vontade dos dois de tocarem algumas músicas juntos.

12 – The Takeovers – Pretty Not Bad

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Mesmo com os compromissos de Guided By Voices, sua banda principal, Robert Pollard sempre esteve envolvido em mais de um projeto. The Takeovers surgiu da parceria com Chris Slusarenko, também integrante dos Voices, e rendeu dois discos. Bad Football foi o segundo lançamento.

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Para conhecer o que já foi publicado antes clique aqui. Até semana que vem.

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envelheceu com DIGNIDADE

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Em dois de fevereiro terminou a espera de 22 anos. Foi lançado mbv, terceiro disco do My Bloody Valentine. Kevin Shields, Colm O’Ciosoig, Bilinda Butcher e Debbie Googe voltaram à ativa.

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A banda disponibilizou a obra em três formatos: vinil, cd e download pago. A novidade causou euforia entre nós, fãs, e em poucas horas o site travou porque excedeu o limite de acessos suportado.

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A dose_INDIE comemora a novidade com sorriso que vai de orelha a orelha. No setlist estão quatro músicas inéditas e outras oito que resgatam o início de carreira, alguns lados b e raridades.

01 – Only Tomorrow

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Depois da fase de divulgação de Loveless vez por outra era anunciado que o próximo disco da banda estava por vir. A espera se arrastou por mais de duas décadas. Escutar “Only Tomorrow”, para mim, foi a confirmação de que valeu a pena aguardar o tempo que durou, tanto que nos primeiros acordes da música meus olhos encheram-se de lágrimas.

02 – Blown A Wish

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Loveless demorou dois anos para ser concluído. Existe lenda urbana que as sessões aconteceram em dezenove estúdios diferentes. As vendas não atingiram a expectativa da Creation Records, tanto que a banda foi dispensada tempo depois do lançamento. Por outro lado Loveless é citado como principal referência por geração de músicos e considerado um dos melhores discos dos anos 90.

“…show me all your favorite things
show you all mine too
make a wish
I’ll give it all to you…”

03 – (Please) Lose Yourself In Me

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Em 1987 a banda lançou dois EPs. Ecstasy chegou às lojas em novembro. Dele foram produzidas 3.000 unidades. “(Please) Lose Yourself In Me” é a última música do lado b.

“… days passed me by
blood is on my head
I don’t know why
we could look up
face the stupid heads
we stare at them
all I want to see
please lose yourself in me…”

04 – She Found Now

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No dia 3 de fevereiro Público, jornal português, fez faixa a faixa de mbv. Considero a definição que o jornalista João Bonifácio escreveu para “She Found Now” não a mais adequada para a música e sim para o disco todo: “Primeira sensação que se tem ao ouvir isto após 21 anos de espera: é como marcar de tomar um café com a namorada da adolescência e ela ainda estar bonita e sentir-se um friozinho na barriga. Aguenta, coração.”

05 – I Believe

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Feed Me With Your Kiss foi o segundo single de Isn’t Anything, lançado no final de novembro de 1988, mesmo mês em que o disco chegou às lojas. “I Believe” foi uma das três inéditas que o acompanhou.

06 – Strawberry Wine

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Completando o item três, “Strawberry Wine” foi o primeiro EP. O lançamento, em agosto de 1987, marcou a entrada de Bilinda Butcher que substituiu Dave Conway, vocalista original. Dois anos depois a banda juntou os dois trabalhos na compilação Ecstasy And Wine.

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07 – City Girl

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Em 2003, Sofia Copolla escreveu o roteiro e dirigiu Lost In Translation, filme que conta a história de Bob Harris, ator que está em Tóquio para participar de campanha publicitária. Mesmo com a ajuda de intérprete ele senti dificuldade para entender o que é solicitado no trabalho. Kevin Shields fez a produção artística da trilha sonora. Entre as músicas escolhidas estão “Sometimes”, do My Bloody Valentine e “City Girl”, uma das quatro composições inéditas que ele escreveu exclusivamente para a obra.

Um pouco de história. Quando uma palavra ou frase é traduzida de forma literal para outro idioma e perde o significado original este é um caso de “lost in translation”. Por exemplo: a frase “a casa caiu” ficaria “the house fell”. Para um americano não significaria nada além do que o imóvel ter sido demolido, ou que sofreu o efeito de algum fenômeno natural, como terremoto. Neste caso o significado perdeu-se na tradução. “Lost in translation”.

08 – Slow

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Primeiro single lançado pela Creation Records, em agosto de 1988. Nas apresentações ao vivo a banda repetia um acorde da música por tempo indeterminado. Geralmente ultrapassava quinze minutos com a mesma nota. Na reunion tour, de 2008 a 2009, “You Made Me Realise” atingiu ensurdecedores 130 dB de distorção. “Slow” é uma das minhas músicas preferidas da banda.

O clipe foi dirigido por Douglas Hart, ex-baixista do Jesus And Mary Chain. O trecho repetido incansavelmente ao vivo, no clipe começa a um minuto e quarenta segundos e vai até dois munitos e vinte segundos.

09 – New You

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Uso mais um trecho do faixa a faixa feito pelo jornalista João Bonifácio, do jornal Público, de Portugal, para “New You”: “…de volta estão também aqueles sons de sintetizadores que parecem flautas digitais. New You tem toda a pinta de ter sido escrita durante um passeio pelos canais de Amsterdã após a ingestão de space cake…”

10 – Soon

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Glider foi o primeiro EP lançado por grande gravadora nos Estados Unidos, em 1990. Nele a versão de “Soon” está diferente da que entrou em Loveless, no ano seguinte. Ela é um pouco mais curta.

11 – If I Am

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Em novembro de 2012, para a NME, Kevin Shields anunciou que o terceiro disco da banda seria lançado ainda naquele ano, o que não aconteceu. No perfil do Facebook, em 21 de dezembro, ele confirmou que as sessões de estúdio haviam terminado há três dias. Durante apresentação no dia 27 de janeiro, a primeira desde 2009, a banda tocou uma música inédita, e mais uma vez foi informado que o disco seria lançado na sequência. 2 de fevereiro de 2013 entrou para a história da banda.

12 – I Can See It But I Can’t Feel It

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Isn’t Anything carrega resíduos da fase Dave Conway que foi substituído por Bilinda Butcher, mas em sua maioria demonstra as experiências sonoras adotadas por Kevin Shields. O disco foi gravado em duas semanas, no País de Gales. A banda resolveu dormir apenas duas horas por noite e concentrar-se integralmente às sessões de estúdio.

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Baixe o podcast em MP3, ou no formato para iPod.

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Em 2012 li que o My Bloody Valentine estava para lançar disco novo, mas não dei importância. Considerei ser mais um falso rumor tendo em mente que o último material inédito foi de 1991. Felizmente estava errado em não acreditar. Que surpresa agradável foi conhecer as músicas novas no começo do mês. O disco é impecável, e mesmo que alguns o considere mais do mesmo, confortou a espera que nós, fãs, tivemos. Mas duas coisas nele não me agradam. Uma delas foi “Nothing Is”. Para mim, é a música desnecessária da obra. Não acrescentou e muito menos completou as outras oito.

O que também não me agradou foi a quantidade de músicas. Só nove, Kevin Shields? Em vinte e dois anos só deu para preparar essas? Que o disco tivesse doze, no mínimo. Tomara que mbv seja o primeiro de uma série de lançamentos sequenciais. Que até o fim deste ano dois singles sejam lançados com três músicas no lado b, e para 2014 outros dois EPs, com cinco músicas em cada, façam nossa felicidade novamente.

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O cabeçalho da dose_INDIE foi inspirado na obra de Milton Glaser renomado designer gráfico que criou “I NY”. O logotipo foi utilizado para promover o turismo na cidade de Nova Iorque, nos anos 70. Da forma como o adaptei fica claro quanto admiro o My Bloody Valentine. Para conhecer o que já foi publicado antes clique aqui. Até semana que vem.

COQUETEL

Na sexta-feira, dia 8, foi publicado mais um post que assino como colaborador para a Rádio UOL. Em COQUETEL deste mês escrevi sobre o carnaval e suas musas. Espero que curtam. Para ler o conteúdo na página da Rádio UOL clique aqui.

para PULAR o carnaval

Contagem regressiva. Às seis e um da noite desta sexta-feira as canetas cairão. O esperado momento de relaxar e encontrar com os amigos chegou. Alguns dos destinos serão o litoral, São Luiz do Paraitinga, e o Rio de Janeiro. Iniciam-se os dias de euforia coletiva. Chegou a hora de rasgar a fantasia. Fica no ar aquela falsa impressão de que agora “tudo pode”. Que maravilha, e boa sorte se você acredita nisso.

Além dos excessos, há também o grande destaque: a musa do grêmio recreativo. No quesito criatividade a nota sempre é DEZ. Vale desde mulher com nome de fruta, planta, legume ou flor, e pseudocelebridades emergentes que aparecem. As opções de bizarrices para chamar a atenção e ser escolhida a capa da revista da semana que vem são inúmeras. Troco todas elas por mulheres que saibam tocar guitarra, baixo, bateria, que cantam e atendem pelo próprio nome.

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Na minha comissão de frente viria Teri Suarez, do Le Butcherettes. A banda surgiu no México e desde 2009 está radicada em Los Angeles. No figurino das apresentações ao vivo estão roupas dos anos 50. Toda forma de encenação é válida, como uso de sangue falso, farinha e ovos. Dançarinas contratadas aparecem apenas de avental e segurando espanadores. No final uma delas mostra para a plateia uma cabeça de porco decapitada. O ato expressa a liberdade das mulheres frente aos afazeres domésticos. Alegorias e fantasias: DEZ.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Omar Rodriguez-Lopez, do The Mars Volta, ajudou a banda a assinar contrato com grande gravadora, produziu o single “Henry Don’t Got Love”, e gravou o baixo em todas as músicas de Sin Sin Sin.
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A segunda banda a desfilar é Sleeper Agent. O projeto surgiu como dupla formada pelo guitarrista e vocalista Tony Smith e Justin Wilson, na bateria. As primeiras apresentações foram desastrosas, e a necessidade de novos integrantes foi imediata. Josh Martin assumiu a segunda guitarra, Lee Willians ficou no baixo e Scott Gardner com os teclados. A “evolução” deslanchou na avenida com Alex Kendel nos vocais. Ela foi descoberta por Smith e Wilson em um bar onde trabalhava como barista. Uma vez por semana Kendel realizava pequeno show interpretando músicas de Adele. Samba enredo: TRÊS E MEIO. Conjunto: nota DEZ.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

No meio da música a voz de Tony Smith fica parecida demais com a de Jack White, ex-The White Stripes, não?
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E o estandarte de ouro vai para as meninas das Breeders. Em 2013 serão comemorados os 20 anos de Last Splash. A turnê mundial LSXX está confirmada, e em abril chegará às lojas deluxe edition do cultuado disco. Com a festividade, o melhor aconteceu. Os quatro integrantes que participaram das sessões de estúdio estarão juntos novamente: as irmãs Kim e Kelley Deal, nas guitarras; Josephine Wiggs, no baixo e Jim Macpherson, na bateria.

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Last Splash é impecável da primeira à última música. Nele estão os sucessos “Divine Hammer”, “Saints”, e o mega hit “Cannonball”, eleito também em 1993 The Single Of The Year, pela New Musical Express. O clipe foi dirigido em parceria de Kim Gordon, do Sonic Youth, e pelo iniciante Spike Jonze, diretor de Onde Nascem Os Monstros.

Vale torcer para a turnê passar pelo Brasil. Em 2008 The Breeders foi uma das atrações principais de um dos grandes festivais que acontecem em São Paulo no segundo semestre.
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Sobre os dias de folia, a dispersão tem hora para começar e não para terminar. O que eu farei durante o recesso? Tudo para fugir do congestionamento nas estradas, da falta d’água, que é a grande roubada no litoral em feriados prolongados, além da prática de preços abusivos que impera. Nota: ZERO. Vejo com bons olhos aproveitar o que São Paulo tem para oferecer, uma vez que o trânsito estará melhor, e filas para cinema, teatro e restaurantes estarão abaixo da normalidade para os padrões da cidade. Imagino a festa.
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Lex é designer gráfico, produz e apresenta a dose_INDIE há quase quatro anos e SEMPRE “pulou” o carnaval.

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