"descapando" discos de rock, sempre em listas top 10 | por Ziegler, Zé Mário e Lex

envelheceu com DIGNIDADE

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Em dois de fevereiro terminou a espera de 22 anos. Foi lançado mbv, terceiro disco do My Bloody Valentine. Kevin Shields, Colm O’Ciosoig, Bilinda Butcher e Debbie Googe voltaram à ativa.

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A banda disponibilizou a obra em três formatos: vinil, cd e download pago. A novidade causou euforia entre nós, fãs, e em poucas horas o site travou porque excedeu o limite de acessos suportado.

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A dose_INDIE comemora a novidade com sorriso que vai de orelha a orelha. No setlist estão quatro músicas inéditas e outras oito que resgatam o início de carreira, alguns lados b e raridades.

01 – Only Tomorrow

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Depois da fase de divulgação de Loveless vez por outra era anunciado que o próximo disco da banda estava por vir. A espera se arrastou por mais de duas décadas. Escutar “Only Tomorrow”, para mim, foi a confirmação de que valeu a pena aguardar o tempo que durou, tanto que nos primeiros acordes da música meus olhos encheram-se de lágrimas.

02 – Blown A Wish

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Loveless demorou dois anos para ser concluído. Existe lenda urbana que as sessões aconteceram em dezenove estúdios diferentes. As vendas não atingiram a expectativa da Creation Records, tanto que a banda foi dispensada tempo depois do lançamento. Por outro lado Loveless é citado como principal referência por geração de músicos e considerado um dos melhores discos dos anos 90.

“…show me all your favorite things
show you all mine too
make a wish
I’ll give it all to you…”

03 – (Please) Lose Yourself In Me

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Em 1987 a banda lançou dois EPs. Ecstasy chegou às lojas em novembro. Dele foram produzidas 3.000 unidades. “(Please) Lose Yourself In Me” é a última música do lado b.

“… days passed me by
blood is on my head
I don’t know why
we could look up
face the stupid heads
we stare at them
all I want to see
please lose yourself in me…”

04 – She Found Now

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No dia 3 de fevereiro Público, jornal português, fez faixa a faixa de mbv. Considero a definição que o jornalista João Bonifácio escreveu para “She Found Now” não a mais adequada para a música e sim para o disco todo: “Primeira sensação que se tem ao ouvir isto após 21 anos de espera: é como marcar de tomar um café com a namorada da adolescência e ela ainda estar bonita e sentir-se um friozinho na barriga. Aguenta, coração.”

05 – I Believe

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Feed Me With Your Kiss foi o segundo single de Isn’t Anything, lançado no final de novembro de 1988, mesmo mês em que o disco chegou às lojas. “I Believe” foi uma das três inéditas que o acompanhou.

06 – Strawberry Wine

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Completando o item três, “Strawberry Wine” foi o primeiro EP. O lançamento, em agosto de 1987, marcou a entrada de Bilinda Butcher que substituiu Dave Conway, vocalista original. Dois anos depois a banda juntou os dois trabalhos na compilação Ecstasy And Wine.

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07 – City Girl

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Em 2003, Sofia Copolla escreveu o roteiro e dirigiu Lost In Translation, filme que conta a história de Bob Harris, ator que está em Tóquio para participar de campanha publicitária. Mesmo com a ajuda de intérprete ele senti dificuldade para entender o que é solicitado no trabalho. Kevin Shields fez a produção artística da trilha sonora. Entre as músicas escolhidas estão “Sometimes”, do My Bloody Valentine e “City Girl”, uma das quatro composições inéditas que ele escreveu exclusivamente para a obra.

Um pouco de história. Quando uma palavra ou frase é traduzida de forma literal para outro idioma e perde o significado original este é um caso de “lost in translation”. Por exemplo: a frase “a casa caiu” ficaria “the house fell”. Para um americano não significaria nada além do que o imóvel ter sido demolido, ou que sofreu o efeito de algum fenômeno natural, como terremoto. Neste caso o significado perdeu-se na tradução. “Lost in translation”.

08 – Slow

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Primeiro single lançado pela Creation Records, em agosto de 1988. Nas apresentações ao vivo a banda repetia um acorde da música por tempo indeterminado. Geralmente ultrapassava quinze minutos com a mesma nota. Na reunion tour, de 2008 a 2009, “You Made Me Realise” atingiu ensurdecedores 130 dB de distorção. “Slow” é uma das minhas músicas preferidas da banda.

O clipe foi dirigido por Douglas Hart, ex-baixista do Jesus And Mary Chain. O trecho repetido incansavelmente ao vivo, no clipe começa a um minuto e quarenta segundos e vai até dois munitos e vinte segundos.

09 – New You

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Uso mais um trecho do faixa a faixa feito pelo jornalista João Bonifácio, do jornal Público, de Portugal, para “New You”: “…de volta estão também aqueles sons de sintetizadores que parecem flautas digitais. New You tem toda a pinta de ter sido escrita durante um passeio pelos canais de Amsterdã após a ingestão de space cake…”

10 – Soon

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Glider foi o primeiro EP lançado por grande gravadora nos Estados Unidos, em 1990. Nele a versão de “Soon” está diferente da que entrou em Loveless, no ano seguinte. Ela é um pouco mais curta.

11 – If I Am

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Em novembro de 2012, para a NME, Kevin Shields anunciou que o terceiro disco da banda seria lançado ainda naquele ano, o que não aconteceu. No perfil do Facebook, em 21 de dezembro, ele confirmou que as sessões de estúdio haviam terminado há três dias. Durante apresentação no dia 27 de janeiro, a primeira desde 2009, a banda tocou uma música inédita, e mais uma vez foi informado que o disco seria lançado na sequência. 2 de fevereiro de 2013 entrou para a história da banda.

12 – I Can See It But I Can’t Feel It

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Isn’t Anything carrega resíduos da fase Dave Conway que foi substituído por Bilinda Butcher, mas em sua maioria demonstra as experiências sonoras adotadas por Kevin Shields. O disco foi gravado em duas semanas, no País de Gales. A banda resolveu dormir apenas duas horas por noite e concentrar-se integralmente às sessões de estúdio.

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Baixe o podcast em MP3, ou no formato para iPod.

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Em 2012 li que o My Bloody Valentine estava para lançar disco novo, mas não dei importância. Considerei ser mais um falso rumor tendo em mente que o último material inédito foi de 1991. Felizmente estava errado em não acreditar. Que surpresa agradável foi conhecer as músicas novas no começo do mês. O disco é impecável, e mesmo que alguns o considere mais do mesmo, confortou a espera que nós, fãs, tivemos. Mas duas coisas nele não me agradam. Uma delas foi “Nothing Is”. Para mim, é a música desnecessária da obra. Não acrescentou e muito menos completou as outras oito.

O que também não me agradou foi a quantidade de músicas. Só nove, Kevin Shields? Em vinte e dois anos só deu para preparar essas? Que o disco tivesse doze, no mínimo. Tomara que mbv seja o primeiro de uma série de lançamentos sequenciais. Que até o fim deste ano dois singles sejam lançados com três músicas no lado b, e para 2014 outros dois EPs, com cinco músicas em cada, façam nossa felicidade novamente.

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O cabeçalho da dose_INDIE foi inspirado na obra de Milton Glaser renomado designer gráfico que criou “I NY”. O logotipo foi utilizado para promover o turismo na cidade de Nova Iorque, nos anos 70. Da forma como o adaptei fica claro quanto admiro o My Bloody Valentine. Para conhecer o que já foi publicado antes clique aqui. Até semana que vem.

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