"descapando" discos de rock, sempre em listas top 10 | por Ziegler, Zé Mário e Lex

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COQUETEL

Na segunda-feira, dia 15, foi publicado mais um post que assino como colaborador para a Rádio UOL. Em COQUETEL deste mês escrevi sobre a dificuldade de fazer sucesso na carreira da música. Espero que curtam. Para ler o conteúdo na página da Rádio UOL clique aqui.

vida FÁCIL?

Todo músico sabe a via crucis a ser percorrida para estabilizar a carreira. Até o primeiro disco ser gravado e a rotina de shows garantirem algum retorno financeiro muitos desistem no meio do caminho. Chega-se ao ponto em que outra fonte de renda, além da música, é necessária. Se algo significativo não acontecer, é evidente que abrir mão de seu sonho e partir para um trabalho “convencional” será a solução. Acreditar, ser talentoso e persistir faz diferença, mesmo que a duras penas.

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Beck estava desempregado quando resolveu dedicar-se integralmente à música. Ele realizava qualquer atividade que lhe rendesse algum dinheiro, como operar soprador de folhas (leaf blower). O aparelho é utilizado como ferramenta de jardinagem, mas também serve para varrer grandes áreas.

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Em 1993, o cantor lançou o single “Loser”, título mais que adequado à situação que vivia, e a mágica aconteceu. A música foi sucesso imediato nas college radios americanas, e inúmeras gravadoras, com promessas de contratos milionários, disputaram o seu passe. A recompensa de todo sacrifício foi a estreia com Mellow Gold no ano seguinte. Odelay, de 1996, e Sea Change, de 2002, fazem parte da lista dos Melhores Discos de Todos os Tempos, segundo a revista Rolling Stone.

A um minuto e cinquenta e um segundos do clipe Beck aparece usando o equipamento de seu antigo emprego.

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Com Nathan Willians a realidade foi menos dura. Até os 21 anos ele trabalhou como vendedor em loja de discos. O tempo livre era ocupado com o skate e como colaborador em blog de cultura hip hop. Neste mesmo período, Nathan começou a registrar alguns ensaios usando gravador analógico, e editava o material com o Garage Band. Por não saber usar o software corretamente as músicas ganharam sonoridade lo-fi, característica presente até hoje em seu trabalho.

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Willians é de San Diego, na Califórnia, e o nome de sua banda, Wavves, foi escolhido por causa da fobia que ele sente do mar. As primeiras músicas publicadas via Pitchfork tiveram grande número de acessos, receberam críticas favoráveis, e impulsionaram a popularidade. A procura por shows aumentou, Ryan Ulsh foi convocado para as baquetas, e o destino foram os festivais espalhados pelos Estados Unidos e Europa.

“I Wanna Meet Dave Grohl” foi a segunda música de trabalho do EP Life Sux. Ela foi lançada apenas como single. Nathan caprichou nas referências ao líder do Foo Fighters com o clipe de “Bug”.

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Situação completamente oposta, talvez insalubre, viveu Mac DeMarco antes das primeiras gravações. Ele é de uma pequena cidade ao sul de Vancouver, e quando chegou a Montreal, no começo de 2012, trabalhou em empreiteira pavimentando rodovias. Somando seu rendimento com o cachê de raras apresentações, ele partiu em busca da terceira fonte de renda. Essa, sim, bizarra: cobaia em experiências médicas.

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Felizmente, ou melhor, ainda bem para DeMarco que o EP Rock And Roll Night Club começou a fazer sucesso. Na sequência veio contrato com gravadora, o lançamento de 2, disco de estreia, e turnê mundial. Conquistas realizadas em menos de um ano. Lembra da persistência mencionada no começo do post?

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O mesmo músico que passou pelo martírio e superou inúmeras dificuldades até atingir o sucesso, pode colocar tudo a perder caso o foco em sua carreira seja perdido. São muitos os exemplos em que o deslumbramento e os excessos colocaram fim ao que era promissor. A liberdade é a principal parceira do artista. A disciplina deveria ser sua companheira.

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“Um brinde!
O nosso astro merece”

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Lex, Leandro Borghi, é designer gráfico, produz e apresenta a dose_INDIE há 4 anos, publicada semanalmente no dezcapas.wordpress.com.

LOLLAPALOOZA 2013

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Na sexta-feira começará a maratona de três dias de shows do Lollapalooza 2013. Mais de setenta atrações espalhadas em seis palcos do Jockey Club de São Paulo. Entre os principais passarão nove bandas em que faço questão de estar na plateia. Acho que estou preparado fisicamente para aguentar até domingo. Na segunda-feira saberei a resposta. Haja saúde e, acima de tudo, dinheiro para pagar oito reais por um copo de chope de 400 ml. Ainda bem que ele vem gelado.

01 – Pearl Jam – The Fixer

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O fã que comprou a versão digital de Backspacer também recebeu senha para baixar duas das onze opções de apresentações ao vivo, registradas de 2005 a 2008, disponíveis no site da banda. O projeto gráfico do disco foi desenvolvido pelo cartunista Dan Perkins e demorou seis meses para ser finalizado.

02 – The Hives – Wait A Minute

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Lex Hives foi produzido pela própria banda. As duas músicas extras que estão na versão deluxe do disco foram escritas e gravadas em parceria de Josh Homme, do Queens Of The Stone Age. A expressão Lex Hives vem da Roma antiga, e era usada para tornar público um conjunto de leis e aceitá-las como padrão.

03 – Cake – Sheep Go To Heaven

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Prolonging The Magic foi o primeiro disco em que o vocalista John McCrea escreveu todas as letras e assumiu a produção de estúdio sozinho. O nome “Sheep Go To Heaven” foi inspirado em citação bíblica. No clipe a banda está caracterizada de KISS. Bacana a solução encontrada para a maquiagem do cinco integrante.

04 – Queens Of The Stone Age – 3’s And 7’s

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A turnê de Era Vulgaris ficou conhecida como Duluth Tour. A banda pretendia passar por países e pequenas cidades por onde nunca haviam tocado, como em Duluth, no estado de Minnesota. Em agosto de 2008 aconteceu as duas últimas apresentações desta fase. Uma para o Reading Festival e a outra em Leeds. Josh Homme havia anunciado que no mês seguinte a banda entraria em estúdio para gravar disco novo. Promessa não cumprida há cinco anos.

05 – The Black Keys – Howlin’ For You

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Música lançada em Brother, de 2010. O clipe de “Howlin’ For You” foi dirigido por Chris Marrs Piliero, e faz paródia aos filmes de ação e vingança. Na trama sexy justiceira honra a memória de seu pai, e executa todos os envolvidos em sua morte. A trilha do “filme” é assinada por Dan Auerbach e Patrick Carney, da banda Las Teclas de Negro.

06 – Franz Ferdinand – Can’t Stop Feeling

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A capa de Tonight foi inspirada no trabalho de Weegee, pseudônimo do fotógrafo Arthur Fellig. Ele era conhecido por registrar cenas de crime e ações urbanas, nos anos 30. “Can’t Stop Feeling” era uma das músicas escolhidas para entrar no homônimo disco de estreia, mas foi substituída por “Michael”. Depois de receber novo arranjo ela foi lançada no terceiro trabalho de estúdio.

07 – The Flaming Lips – Sun Blows Up Today

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Originalmente The Terros será lançado dia 2 de abril, e virá com nove músicas. Outras duas extras estarão disponíveis apenas via iTunes. “Sun Blows Up Today” é uma delas. The Flaming Lips está com outro disco quase pronto. Wayne Coyne e trupe estão regravando The Stone Roses, homônimo de estreia da banda inglesa. Oito das treze músicas estão prontas. Comentei com o amigo Thiago Kazu que estou ansioso para escutar as versões de “Song For My Sugar Spun Sister” e “I Am The Resurrection”.

“Sun Blows Up Today” foi usada como trilha de comercial para a Hyundai, veiculado durante a final do Super Bowl 2013. Para assistir o clipe original clique aqui.

08 – Tomahawk – Stone Letter

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Tomahawk é mais um dos inúmeros projetos desenvolvidos por Mike Patton, do Mr. Bungle, do Fantomas e ex-Faith No More. A banda é completada por Duane Denison, ex-guitarrista do Jesus Lizard; John Stainer, ex-baterista do Helmet, e Trevor Dunn, ex-baixista do Mr. Bungle.

O lançamento de Oddfellows estava previsto para 2012, mas aconteceu apenas em janeiro deste ano. “Stone Letter” foi o primeiro single.

09 – Planet Hemp – Adoled

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Depois de longo período sem tocar ao vivo, em 2010, a banda realizou para convidados única apresentação comemorativa aos vinte anos da Mtv Brasil. Em 2012 outro aniversário mobilizou os músicos, os trinta do Circo Voador, no Rio de Janeiro. Em menos de uma hora os ingressos para os três shows estavam esgotados.

Atendendo ao pedido dos fãs a banda finalmente resolveu colocar o pé na estrada, e está confirmada como uma das atrações do Lollapalooza americano que acontecerá em agosto deste ano. O lançamento de DVD com apresentação ao vivo também está no pacote. A possibilidade de disco com inéditas foi descartada.

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Baixe o podcast em MP3, ou no formato para iPod.

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Há grande número de bandas que participarão do Lollapalooza 2013 que não conheço. Espero ter boas surpresas. Em 2012 também preparei edição especial da dose_INDIE sobre o festival. Clique aqui e escute o podcast do Lollapalooza 2012. Para conhecer o que já foi publicado antes acesse o link. Até semana que vem.

4 anos

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dose_INDIE 4 anos. 161 edições e muita música para contar. Confesso que produzir algo relevante toda semana não é tarefa fácil, mas é absurdamente prazeroso. Só depois que a setlist está definida, que os textos sobre as bandas foram escritos e que os vídeos estão editados, bate a sensação de dever cumprido. Tudo começou em 6 de março de 2009 no saudoso Sete Doses, e continuará enquanto durar o tesão. A “festa” de hoje é introspectiva. Traje obrigatório: fone de ouvido.

01 – Milk Maid – Your Neck Around Mine

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Banda de Manchester liderada por Martin Cohen, ex-baixista de Nine Black Alps. Com o novo projeto a guitarra virou sua parceira. Antes de Mostly No ser gravado as músicas foram testadas em pequenas apresentações ao vivo. Durante as sessões que aconteceram em seu estúdio caseiro, Cohen registrou sozinho boa parte dos instrumentos.

02 – Mac Demarco – She’s Really All I Need

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Em 2012, quando chegou a Montreal, Mac DeMarco precisou de duas fontes de renda extra para continuar com a carreira de musico. Uma delas foi como cobaia em experiências médicas. A outra foi pavimentando rodovias. O elogiado EP Rock And Roll Nightclub, lançado no mesmo ano, foi fruto deste esforço e garantiu a Mac contrato com grande gravadora.

03 – Sic Alps – Cement Surfboard

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Matt Hartman e Mike Donovan eram amigos de longa data e tocavam em projetos diferentes quando resolveram gravar algumas demos juntos. Em 2010, Sic Alps foi uma das bandas que participou do festival All Tomorrow’s Parties, evento que teve curadoria e que oficializou a volta do Pavement.

04 – Fidlar – LDA

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As primeiras demos dos irmãos Max e Elvis Kuehn foram gravadas ainda na época do high school. Eles são filhos de Greg Kuehn, da banda punk T.S.O.L.. Zac Carper e Brandon Schwartzel completam a formação de Fidlar. Além de manter perfil no MySpace a banda prioriza a atualização do canal no YouTube. Fidlar, homônimo de estreia, foi lançado em 22 de janeiro deste ano, por coincidência o mesmo dia do meu aniversário.

05 – Ganglians – My House

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Originalmente “My House” foi lançada no disco Still Living. A versão que está no podcast foi registrada para a Daytrotter Vinyl Series, idealizada pelo site Daytrotter, de Illinois. A iniciativa, aprovada pela crítica especializada, tem sido comparada as famosas Peel Sessions, realizadas pelo lendário DJ John Peel, da BBC Radio One.

06 – Ducktails – Art Vandelay

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Matthew Mondanile formou Ducktails paralelamente a Real State, sua banda principal. A ausência de sintetizadores foi o grande diferencial de Ducktails III: Arcade Dynamics comparado aos lançamentos anteriores. Baixo, guitarra e bateria foram contemplados. Destaque para “Art Vandelay”.

07 – The Hentchmen – (Cryin’ Just Like) Otis

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Na ativa desde 1992, The Hentchmen surgiu em Detroit e nunca abandonou suas referências que são as bandas dos anos 60. A formação atual conta com Johnny Volare, nos teclados; Tim V. Eight, na guitarra e Mike Audi, na bateria. Antes do The White Stripes, Jack White foi o segundo guitarrista.

08 – The Brian Jonestown Massacre
Yeah Yeah

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A banda disponibilizou as demos de My Bloody Underground, no site para audição, antes do lançamento oficial. O disco terminou com hiato de cinco anos sem inéditas. O nome faz referência ao My Bloody Valentine e Velvet Underground.

09 – Monday Night Recorders With Jack Logan
I Recognize You

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Jack Logan iniciou carreira artística como escritor. Nos anos 80 ele lançou duas revistas em quadrinhos em que Peter Buck, do REM, era um super-herói. Buck retribuiu a gentileza ajudando o amigo em suas primeiras gravações. Nature’s Assembly Line demorou um ano para ser gravado o que resultou em 94 músicas inéditas, em 2003. 15 foram escolhidas para o disco.

10 – Blank Dogs – Open Shut

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Blank Dogs é o projeto desenvolvido pelo multi instrumentista Mike Sniper. Under And Under, disco de estreia, foi lançado após série de singles independentes e planejado para ser vinil duplo. The Vivian Girls e Crystal Stilts colaboraram nas sessões de estúdio.

11 – Box Elders – Necro

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A primeira formação de Box Elders foi, no mínimo, inusitada. Incluía os irmãos Jeremiah McIntyre, guitarra e vocal; Clayton McIntyre, baixo e vocal; e a mãe dos dois na bateria. Antes de gravarem o primeiro single ela foi substituída por Dave Goldberg que realiza a proeza de tocar bateria e teclado ao mesmo tempo. Confira sua habilidade na apresentação abaixo.

12 – Tough Knuckles – Downtown Girl

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A melhor definição para Tough Knuckles é one-man lo-fi project, em que Ernest Greene atende pelo nome artístico Washed Out. Durante os intervalos de gravação do disco Greek Jazz, Greene aproveitou para revisitar a obra de Guided By Voices.

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Atrasei alguns dias para publicar o podcast dos 4 anos da dose_INDIE porque naquela semana tive um sério problema doméstico para resolver, e não estava em clima de festa. Agora tudo voltou ao seu ritmo e “vamos pra vida.” Para conhecer o que já foi publicado antes clique aqui. Até semana que vem.

Bloodsports

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Na segunda-feira da semana passada, dia 11, Bloodsports, do Suede, vazou. Este é o primeiro disco com inéditas em dez anos de hiato. O lançamento oficial foi hoje, dia 18. Compartilhei a novidade em meu perfil do Facebook, e confesso que fiquei na dúvida: será que a banda ainda tem o que mostrar?

O amigo Pedro Antunes de cara perguntou: “E aí? Bom? Incrível?” Respondi que havia passado rapidamente pelas dez músicas, e que iria escutá-las por completo na sequência. Ele finalizou: “depois me dê o seu veredicto.” Em trinta e nove minutos há excelentes momentos em Bloodsports, mas também belas escorregadas. Segure-se.

Em janeiro, quando foi lançado o clipe de Barriers a música não me impressionou, mas agora escutando a obra completa ela tem seu valor. Equivocado foi colocar Snowblind logo na sequência. Preste atenção no trecho de Barriers em que Brett Anderson canta:

“but will they love you,
the way, the way I loved you?
we jumped over the barriers
jumped over the barriers”

Depois compare com este de Snowblind:

“this love is lifting
the blood is lifting you
over snowblind barriers
this love is lifting who
this blood is lifting you
i was snowblind for a moment too”

A entonação é a mesma. Snowblind é boa, mas causaria melhor impacto se estivesse em outra posição da setlist, algo como a música 8 ou 9 do cd, estrategicamente posicionada para nossos ouvidos esquecerem do refrão da música que abre a obra.

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Quando escutei The Drowners pela primeira vez, nos anos 90, o riff inicial soou como se eu conhecesse a música há muito tempo. It Starts And Ends With You despertou a mesma impressão. Depois de dez anos ESSA é a músca do Suede que eu queria escutar. Era DESSE Suede que eu estava com saudades, e não daquela banda que está em Head Music.

Sabotage é linear. Ela demonstra emoção do meio para o final. Sugiro escutá-la duas vezes seguidas.

Na minha opinião, For The Strangers foi resgatada dos takes não aproveitados da fase Bernard Butler. Guitarra bacanérrima. Se ao trabalhar com o produtor Ed Buller a banda pretendia soar como na fase Dogman Star, com For The Strangers ela acertou o tom, e ainda é possível encontrar frescor de novidade.

Torço para que Hit Me seja o próximo single. Bateria e guitarra dominam, mas fico com o baixo esperto de Mat Osman que está na medida certa. Como são dez músicas, o lado B do vinil começará com vigor.

Logo no início Sometimes I Feel I’ll Float Away meio que anunciava que seria a chatinha do disco. Depois de escutar a música inteira você concluirá que de chata não tem nada.

Passamos da metade e até agora o disco desenvolveu muito bem. Melhor se ele tivesse apenas nove músicas, que What Are You Not Telling Me fosse a última música do último single que a banda lançará em setembro ou outubro de 2014. Desnecessária. Se no lado A do vinil estão as melhores músicas do disco, no lado B, com exceção de Hit Me, estão as menos expressivas. Tomara que isso não signifique que as boas ideias da banda se esgotaram. Que as músicas reservadas para entrarem nos futuros singles levantem a moral novamente.

Faz sentido Always ser a penúltima música. Ela preparou o ouvinte para o grand finale que não aconteceu. Se It Starts And Ends With You estivesse na sequência dela o encerramento teria sido apoteótico. O disco finaliza com a insossa Faultlines que é aquele filho caçula raspa do tacho que tem diferença de vinte anos de sua irmã mais velha. Neste caso a irmã chama The Big Time. Não há necessidade de duas músicas similares no conjunto da obra mesmo com esse longo período que as separam.

No geral um detalhe MUITO me agradou. Felizmente ficaram de fora aqueles tecladinhos irritantes como os que estão nas músicas Everything Will Flow e She’s In Fashion. Ufa.

Ainda não há previsão de lançamento de Bloodsports no Brasil, mas no site suede.co.uk é possível encontrá-lo em duas opções: cd simples e edição de luxo com camiseta, livro, cd + dois vinis.

Se muito bom significa nota dez considero o disco BOM.

COQUETEL

Na segunda-feira, dia 11, foi publicado mais um post que assino como colaborador para a Rádio UOL. Em COQUETEL deste mês escrevi sobre levar cartão vermelho. Espero que curtam. Para ler o conteúdo na página da Rádio UOL clique aqui.

cartão VERMELHO

Quando a falta é grave o juiz levanta o braço, e não tem volta. O jogador foi expulso. Levar cartão vermelho não está restrito apenas ao mundo do esporte. Ações e pensamentos que discordam do consenso coletivo também completam a ideia de exclusão. Embora não seja fácil, manter a serenidade pode evitar a prática de injustiça. Se chegar ao ponto em que as opções de entendimento foram esgotadas, acabou o diálogo. A expulsão é mais que merecida. .

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1° Tempo.
Scott Weiland levou cartão vermelho em 27 de fevereiro. O ex-vocalista do Stone Temple Pilots soube que foi demitido pela imprensa. Em nota divulgada no site oficial os demais músicos não explicaram os detalhes da decisão. Curiosamente um dia antes, em entrevista a revista Rolling Stones, o cantor declarou que os quatro integrantes eram como uma grande família.

Assim que soube da novidade Weiland escreveu resposta pelo Facebook. Afirmou que estava supresso em ser demitido da banda que fundou, liderou e que escreveu alguns de seus maiores sucessos. Até a solução do perrengue seu advogado terá muito trabalho pela frente.
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2° Tempo.
Em janeiro Morrissey foi hospitalizado para tratamento de úlcera hemorrágica chamada Síndrome de Barrett, doença em que ocorrem alterações nas células da porção inferior do esôfago. Boa parte da turnê americana foi cancelada por causa do tratamento. A volta aos palcos seria em apresentação ao vivo no programa de Jimmy Kimmel, em 26 de fevereiro. Quando o cantor soube quem seriam os demais convidados da noite assumiu a posição de juiz e levantou o cartão vermelho. O elenco de Duck Dynasty seria entrevistado por Jimmy. O programa aborda história de família que produz material para caça de pato selvagem.

Morrissey é vegano, filosofia de vida e postura política que elimina o uso de produtos de origem animal, e também é ativista do Peta, People for the Ethical Treatment of Animals. A imagem do cantor com gato na cabeça, usada na divulgação da turnê que passou pelo Brasil em 2011, foi publicada originalmente na capa do jornal inglês The Guardian. Na ocasião ele declarou: “…the Chinese are a subspecies…” por causa dos maus tratos aos animais.
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Prorrogação.
Antes de ser lançado, Spike Lee declarou que não assistiria Django Unchained por considerá-lo falta de respeito à memória de seus ancestrais roubados da África. A escravidão americana foi holocausto e ele iria honrá-los. Mesmo propondo boicote, Quentin Tarantino afirmou que não iria perder tempo respondendo as provocações do colega cineasta. Primeiro cartão amarelo para Lee.

Jamie Foxx, protagonista do filme, defendeu a produção em entrevista ao The Guardian: “Qual é a de Spike Lee? Ele não gosta de Whoopi Goldberg, de Tyler Perry, ele não gosta de ninguém. Antes de falar mal ele deveria ver o filme. Spike é um diretor fantástico, mas se torna mesquinho ao atacar seus colegas sem acompanhar o trabalho que está sendo feito. Para mim, isso é irresponsável.” Segundo amarelo. CARTÃO VERMELHO, Spike.

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Django Unchained foi premiado com duas estátuas do Oscar, em fevereiro. Uma delas por Melhor Roteiro Original, entregue a Quentin Tarantino. Ele declarou que a história era para provocar o debate sobre a escravidão, e que o tema ainda é doloroso e evitado. O cineasta revelou também que recebeu elogios de fãs espalhados por todo o mundo. E de colegas de profissão, não? O gato comeu a língua de Spike Lee?

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Se procurarmos o significado de livre-arbítrio encontraremos opções como: possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isento de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante, definições que em nada combinam com apatia, radicalismo e arrogância. A condescendência é um sentimento nobre. A obstinação excessiva emburrece.

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Lex, Leandro Borghi, é designer gráfico, produz e apresenta a dose_INDIE há 4 anos, publicada semanalmente no dezcapas.wordpress.com.

COQUETEL

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Em 2009, depois de seis podcasts publicados, queria melhorar a dose_INDIE. Escolhi a edição 7, o nosso número do Sete Doses, para colocar no ar o COVER do Lex, missão muito bem executada por meu amigo Rodrigo Simon. Ele é experiente de longa data no rádio, e mesmo assim não está imune a erros. Separei um trecho da dose_INDIE COVER como parte da comemoração de 4 anos.

A festa continua no próximo post. “É isso aí. Valeu”.

saber ESPERAR

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Boa parte desta setlist seria publicada no post 158, mas foi cortada na edição final porque naquele o ritmo acelerou. A ideia era utilizá-la na semana seguinte, mas acabei me enrolando com o prazo para enviar o material de COQUETEL para o UOL e mais uma vez passou. Quando estava com praticamente tudo pronto o My Bloody Valentine lançou disco novo e priorizei a banda escocesa. Finalmente sua vez chegou.

01 – Imaad Wasif – Priestess

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Durante o período em que preparava The Voidist, Imaad Wasif declarou que algumas músicas “vieram” de planos astrais paralelos porque sua alma habita vários mundos. Para o homônino de estreia, gravado três anos antes, ele adotou dieta a base de café e haxixe a mesma utilizada por Bob Dylan na fase John Wesley Harding. “Priestess” foi a música que definiu todo o setlist.

02 – The Eversons – Hyacinth Girl

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Quando a banda surgiu, em 2009, as músicas gravadas por Mark Turner e Tim Shann perdiam força porque o projeto era desenvolvido como dupla. Havia também indecisão sobre a escolha do nome. Com a formação completa, que inclui Chris Young e Blair “Everson”, o problema foi resolvido.

03 – The Clientele – Bookshop Casanova

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Desde as primeiras demos gravadas em 1991 a formação da banda foi como quinteto. Com o nome houve alteração. Eles trocaram The Butterfly Collectors para o atual. Em 2006 dois integrantes originais saíram e foram substituídos pela violonista Mel Draisey. Em 2011 The Clientele anunciou que entrou em férias por tempo indeterminado.

04 – Folk Implosion – Pole Position

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Depois do sucesso mundial alcançado com “Natural One”, tema do filme Kids, dirigido por Larry Clark, em 1995, criou-se expectativa sobre como seria o próximo trabalho de Folk Implosion. Lançado dois anos depois, as vendas do single “Pole Position” foram fracas mesmo recebendo críticas favoráveis. Uma delas considerava a música como clássico pós-punk.

05 – Black Lips – Everybody’s Doin’ It

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No início de carreira as apresentações ao vivo eram as mais provocativas possíveis, o que incluía vômito e urina em direção da plateia, fogos de artifício e guitarras em chamas. Assumidamente a fonte de inspiração foi GG Alien. A turnê de estreia, em 2002, foi marcada por fatalidade. Ben Eberbaugh, guitarrista, morreu em acidente de carro provocado por motorista bêbado que dirigia em alta velocidade na contra mão.

06 – Reigning Sound – Drowning

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Alex Greene, um dos integrantes originais, escreveu em parceria do vocalista Greg Cartwright todas as músicas de Too Much Guitar!, gravado em 2004. Antes da banda entrar em estúdio ele saiu amigavelmente para dedicar-se a novos projetos. Ocorreu erro de impressão nos créditos do encarte e apareceu como se ele tivesse colaborado em apenas uma música. Jay Reatard, morte em 2010, fez a produção de estúdio.

07 – Ganglians – Faster

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Still Living foi planejado para ser vinil duplo. Depois de gravado a banda desistiu da ideia e resolveu lançá-lo como disco simples porque as músicas funcionavam melhor juntas. O nome Ganglians veio da união das palavras “gang” e “aliens”. Não há relação alguma com gânglios.

08 – Shrag – A Certain Violence

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Os primeiros singles de Shrag resgatavam sonoridade que remetia ao The B-52’s. Com o tempo a banda imprimiu identidade às músicas, aperfeiçoaram a técnica e soaram mais rock and roll.

09 – Stereolab – Orgiastic

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Peng! foi o disco de estreia de Stereolab, em 1992. As três primeiras músicas praticamente definiram como seria construído o conjunto da obra da banda. São elas: “Super Falling Star”, “Orgiastic” e “Peng 33”. Uma curiosidade sobre o processo de criação das letras é que algumas são escritas e gravadas em francês e outras em inglês. O layout da capa foi utilizado no cabeçalho do post.

10 – White Fence – Easy Ryder

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Projeto desenvolvido por Ty Segall em parceria de Timothy Presley, de Strange Boys. Alguns críticos definiram Hair como o disco que John Lennon e Syd Barrett não gravaram juntos. “Easy Ryder” é o melhor exemplo de como teria sido esta união.

11 – The Babies – Wild 2

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The Babies “existe” quando Cassie Ramone, de Vivian Girls, e Kevin Morby, de Woods, não estão ocupados com suas bandas principais. Não há cobrança para futuros lançamentos. O projeto surgiu da vontade dos dois de tocarem algumas músicas juntos.

12 – The Takeovers – Pretty Not Bad

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Mesmo com os compromissos de Guided By Voices, sua banda principal, Robert Pollard sempre esteve envolvido em mais de um projeto. The Takeovers surgiu da parceria com Chris Slusarenko, também integrante dos Voices, e rendeu dois discos. Bad Football foi o segundo lançamento.

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Para conhecer o que já foi publicado antes clique aqui. Até semana que vem.

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